O astrolábio e os árabes

O astrolábio foi uma das mais importantes inovações técnicas dos árabes durante a Idade Média. Eles usaram o instrumento para navegar e estudar astronomia. Não à toa, os árabes eram considerados ótimos navegadores. No Islã, o instrumento ajudou a determinar com mais exatidão a posição de Meca e os horários de oração.Astrolábio do Museu da Síria

A teoria do astrolábio tem muitos séculos: remonta à Grécia Antiga. Mas foi por meio dos árabes que a Europa conheceu o equipamento, ainda na Idade Média – durante boa parte do período, o Mar Mediterrâneo foi dominado por reis islâmicos, facilitando a circulação da população árabe, berbere e judaica por estas áreas.

O domínio muçulmano na Península Ibérica terminou no final do século XV, mas a história do astrolábio continuou. Ele foi um dos mais importantes instrumentos náuticos da época das Grandes Navegações espanholas e portuguesas. Apesar de a ideia ser antiga, o uso do equipamento na Europa teve seu pico nos séculos XV e XVI – exatamente quando os ibéricos chegaram à América. Os europeus descobriram o astrolábio pelo contato com os árabes, que já o usavam há tempos.

Usado para medir a posição do Sol e das estrelas, o astrolábio fazia cálculos tão sofisticados que, hoje em dia, algumas pessoas se referem a ele como uma espécie de “computador astronômico antigo”. O astrolábio planisférico é o mais famoso: ele projetava a abóbada celestial sobre o plano da linha do Equador, dando as coordenadas dos corpos celestes. A versão mais usadas nas grandes viagens dos portugueses pelos oceanos era o astrolábio marítimo, uma versão mais simples que servia para medir latitudes e necessitava das tabelas de dados dos almanaques.

Sabe-se que os primeiros estudiosos que propuseram um instrumento capaz de calcular a posição das estrelas foram os gregos antigos. O objeto também ajudaria no cálculo geométrico de grandes objetos – como montanhas – a partir da sombra. Há importantes tratados sobre o assunto escritos por matemáticos da Antiguidade, como Ptolomeu, Hiparco de Niceia, Teão de Alexandria e sua filha Hipátia. Há relatos de que alguns cientistas gregos chegaram a montar objetos a partir de projeções estereográficas, mas é difícil afirmar que eles tenham de fato construído astrolábios – embora alguns tenham chegado perto.

Durante a Idade Média, a Europa deixou um pouco de lado uma série de estudos e tratados científicos produzidos na Grécia Antiga. Os árabes recuperaram esse conhecimento e aperfeiçoaram cálculos, teses e técnicas. Foi o que aconteceu com o astrolábio. Os cientistas árabes utilizaram as teorias gregas e montaram equipamentos que podiam medir a posição do Sol, das estrelas, as horas do dia… A novidade serviu para vários objetivos: com o astrolábio, era possível melhorar a navegação, calcular com maior exatidão a orientação em relação a Meca e os horários de oração do Islã. Com os árabes, os persas e sob o império Mughal da Índia, o astrolábio também se tornou uma peça de arte muito bem ornamentada.

A expansão medieval islâmica no Mediterrâneo, fez com que surgissem astrolábios fabricados em outras partes do Velho Mundo, como a Andaluzia, no sul da Espanha. A partir daí, o instrumento ganhou cada vez mais importância na navegação e no ensino de astronomia no Ocidente. Espalhou-se Europa adentro. Em 1391, o escritor inglês Geoffrey Chaucer compôs seu Tratado sobre o Astrolábio. No século XV, Portugal aperfeiçoou e difundiu o astrolábio marítimo; depois, a Alemanha se tornou o principal centro de fabricação do equipamento na Europa. No século XVI, a Bélgica lhe tomou o posto e passou a produzir as melhores peças da região.

Hoje, o astrolábio é artefato de museu. Mas é interessante observar como um conhecimento grego, aperfeiçoado pelos árabes, foi essencial à exploração marítima dos europeus na época em que estes deixaram a terra para desbravar mares antes desconhecidos.

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